“30 é a idade do sucesso”, para quem?
Eu lembro que, quando eu era adolescente, adorava as protagonistas dos filmes norte-americanos que eram descoladas, bonitas, com uma carreira profissional bem sucedida e uma vida pessoal super agitada.
Uma delas, em especial, me marcou: Jenna Rink, do filme "De Repente 30". Você pode até não ter assistido, mas com certeza já viu festas ou bolos temáticos nas redes sociais, no aniversário de 3 décadas de uma porção de mulheres. Virou tendência.
Eu tenho uma curiosidade genuína sobre esse fenômeno: vocês, mulheres de trinta que se inspiraram no filme e também são fãs (ou foram) de Jenna Rink, consideram que alcançaram o sucesso?
Caso você esteja boiando (gíria de millennial), a principal premissa do filme é: "30 é a idade do sucesso".
Não sei pra vocês… Pra mim, não está sendo.
Diferente da Jenna, eu não tenho uma carreira bem sucedida e uma vida pessoal cheia de eventos e almoços em restaurantes legais. Isso sem falar na "complicada" vida amorosa. Nem tenho vida amorosa. E, pelos relatos que tenho lido na internet, não é apenas eu que me sinto assim.
O ponto é: onde está esse sucesso que todas nós achávamos que seria conquistado aos 30?
Olha, tudo bem, eu tenho coisas para me orgulhar. Tenho um bom emprego, ganho um salário que é suficiente para pagar minhas contas, moro sozinha, de vez em quando saio da rotina para encontrar minhas amigas, e às vezes até consigo viajar. E, sim, eu sei que parece que estou reclamando de barriga cheia, mas a verdade é que…
É só isso?
Todos esses filmes me deixaram com a sensação de que a vida seria mais. Não faz parte do meu dia a dia tomar um sorvete em um parque às duas da tarde de uma quarta-feira qualquer. Nem participar de compromissos diplomáticos que envolvem boas doses de bebidas alcoólicas servidas de graça. Também não consigo reunir quatro, cinco, seis amigas, para um almoço em um fim de semana para fofocar sobre um romance recente. E na vida adulta, você ainda tem quatro, cinco, seis amigas que moram perto de você e estão sempre disponíveis?
A vida não tem sido como em "De Repente 30". Têm sido mais como "O Clube da Luta". A copy, of a copy, of a copy…
A maioria dos dias (quase todos eles, pra ser honesta) são apenas repetitivos e comuns. E a pior parte, é ter clareza sobre isso.
E por que me peguei pensando nessas coisas? Porque isso jamais seria considerado sucesso na cabeça da minha eu de 15 anos. Naquela idade, tudo parecia possível. Eu tinha metas concretas, e todo o tempo do mundo para realizá-las.
Agora, a sensação é que estou atrasada para tudo. Como vou chegar "lá" se nem sei mais onde é "lá?". Eu sinto que fui engolida pela vida e que só estou me deixando levar.
E talvez seja por isso que não tenho esse sentimento de "sucesso". Eu achava que aos 30, a vida seria diferente. Mais glamourosa, mais divertida, mais agitada, mais importante. Mais, mais, mais, mais! No entanto, o mundo parece ter perdido a cor (literalmente). E eu também.
Assim como Jenna Rink, eu gostaria de ter uma fórmula mágica para me fazer voltar aos 13 anos. Mas, também não sei se "faria tudo diferente". Talvez eu estivesse em outro lugar, sentindo exatamente a mesma coisa.
Vai ver a vida é assim mesmo: repetitiva, monótona, comum e, por vezes, nada extraordinária. Estou começando a achar que sucesso de verdade é apenas reunir todos os dias uma boa dose de coragem para passar por ela sem enlouquecer.
Se você leu tudo isso e ficou pensando "eu também me sinto assim", que bom. Significa que 30 não é a idade do sucesso pra um monte de gente. Estamos no mesmo barco, mas pelo menos, não estamos sozinhas.
